Ciência e arte se misturam em homenagem a Einstein

23 Setembro 2008

Via: G1
Um dos maiores gênios da humanidade está em exposição em São Paulo. As teorias do cientista viram obras de arte para ver, experimentar e se encantar.
 
 

As grandes questões do universo no olhar de Albert Einstein – uma exposição em São Paulo usa muita luz para desvendar as teorias e as histórias da vida do cientista alemão que marcou o século 20 e que é contada de uma forma que até as crianças entendem.

Dois milhões de pessoas já assistiram à exposição sobre Einstein em outros países – prova de que o cientista também se tornou também um ícone pop. Quem der um pulinho no Parque do Ibirapuera vai poder entender melhor como Einstein teve aquelas idéias que mudaram a maneira como o homem entende o tempo e o universo.

A mesma maçã de Newton é a maça de Einstein ou a massa de Einstein multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado, que é igual à energia. Uma exposição sobre Einstein é cheia de perguntas: o que é o tempo? Tudo é relativo? Você está parado? Por que não é possível viajar mais rápido do que a luz?

Às perguntas de Einstein só ele tem a resposta. Pense em uma viagem para a lua. Se pudéssemos ir a pé, levaríamos nove anos. Se fossemos de metrô, seriam 182 dias. Na velocidade da luz, levaria apenas 1,3 segundos.

A maquina do tempo mostra a data de nascimento de Einstein: 14 de marco de 1879. Hoje ele teria 129 anos, seis meses e oito dias. Se ele tivesse passado a vida dentro de um foguete voando a 99% da velocidade da luz, hoje Einstein estaria vivo e teria 18 anos, três meses e cinco dias.

“A luz sempre é um elemento fundamental, uma curiosidade que sempre teve na vida do Einstein. Por isso mesmo, a exposição tenta mostrar, tenta participar e tenta brincar com a luz de diferentes maneiras. Em uma das brincadeiras, você dobra o espaço-tempo. A idéia é que você, interagindo com a sua massa, vai conseguir atrair objetos do espaço com a sua própria massa. Cada vez que a gente se desloca um pouco, os objetos vêm atrás da nossa massa. A gente está dobrando o espaço-tempo do Einstein. É como se a gente fosse o buraco negro, no caso”, explica o coordenador científico da mostra, Marcelo Knobel.

A maquina da transformação do universo conta com a nossa colaboração. Nela os visitantes criam buracos negros que atraem os corpos celestes e consomem esses mesmos corpos celestes. Depois, novas estrelas e planetas são criados, e os buracos negros desaparecem. Às vezes, eles giram em volta do buraco negro fazem uma órbita.

“Por meio de muita interatividade, a gente tem um numero de interativos como nunca antes a gente teve. A gente tem a contribuição de artistas plásticos e artistas metafísicos brasileiros que tropicalizaram a exposição e colocaram seus conceitos para que desde as crianças pequenas possam entender até adultos ou mesmo cientistas que estudaram Einstein e físicos consigam se aprofundar sobe a teoria”, afirma a diretora da mostra, Bianca Rinzner.

Albert Einstein foi uma figura central na historia do século 20. Ele sobreviveu a duas grandes guerras, fugiu do nazismo, foi um dos responsáveis da bomba atômica e participou da criação da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Desde filosofia, artes plásticas a diversas experiências que a gente tem no nosso dia-a-dia, tem a presença do Einstein”, aponta o coordenador científico da mostra, Marcelo Knobel.

Na velhice, quando morou nos Estados Unidos, ele costumava receber muitas cartas de crianças. Em uma delas, a menina diz que viu a foto no jornal e lhe dá um conselho: “Corte os cabelos para ficar mais bonito”. As teorias de Einstein na exposição são também conceitos e obras de arte. Feixes de luz. Som e luz.

Na missão luz, são seis minutos de uma viagem em direção a Marte a 99% da velocidade da luz. Antes de chegar a Marte, o visitante faz uma órbita em torno do Sol. Não dá para apreciar muito a paisagem. A viagem é muito rápida.

Albert Einstein ganhou o Prêmio Nobel de Física de 1921. Mas, ao contrário do que muitos pensam, não foi por causa da famosa teoria da relatividade. Foi pela explicação que ele formulou a respeito do efeito fotoelétrico.

Depois de entender esse efeito, os cientistas puderam desenvolver equipamentos como as células fotoelétricas, aquelas que fazem as luzes acenderem automaticamente quando se entra em uma sala, por exemplo, e mais tarde a própria televisão.

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Partículas 'conversam' a 10.000 vezes a velocidade da luz

19 Agosto 2008

 

Velocidade extraordinária medida em experimento é uma violação 'do espírito, mas não da letra' da Relatividade

Via: Carlos Orsi do Estadão

Emitindo pares de fótons - partículas de luz - ao longo de uma fibra óptica estendida entre as cidades suíças de Satingny e Jussy, cientistas do Grupo de Física Aplicada da Universidade de Genebra determinaram que um fóton, chegando a um extremo da linha, é capaz de reagir instantaneamente a uma manipulação realizada no parceiro que foi para o lado oposto, a 18 km de distância. Os pesquisadores calcularam que, se essa reação for resultado de uma comunicação entre as partículas, o sinal teria de viajar a, no mínimo, 10.000 vezes a velocidade da luz.

 
Imagem de satélite da região Suíça entre as cidades onde ocorreu o experimento. Divulgação

“Trata-se de uma violação do espírito, se não da letra”, da Teoria da Relatividade de Einstein, que diz que nada pode viajar mais depressa que a luz, diz o físico Terence Rudolph, do Imperial College London, em comentário ao experimento suíço. Tanto a descrição da experiência quanto o comentário de Rudolph estão publicados na edição desta semana da revista Nature.

O efeito utilizado pela equipe suíça é conhecido pelos cientistas como “emaranhamento quântico”, e ocorre quando duas partículas são preparadas de tal forma que qualquer alteração numa delas afeta a outra instantaneamente, não importa a distância que as separa. A velocidade de 10.000 vezes a da luz, determinada pelos físicos de Genebra, é o limite mínimo para que o sinal seja “instantâneo”.

Nos anos 30, Albert Einstein havia usado a possibilidade - então, apenas teórica - do emaranhamento para atacar a teoria quântica, referindo-se ao efeito como uma “ação fantasmagórica à distância”. Para o descobridor da relatividade, qualquer teoria que abrisse essa brecha teria de ser, necessariamente, incompleta. Einstein não aceitava a interpretação dominante para a mecânica quântica, que afirma que alguns aspectos da natureza não podem ser conhecidos com precisão total, mas apenas como probabilidades.

No entanto, avanços feitos ao longo do século 20 mostraram que o emaranhamento é real. Ele já foi confirmado em vários experimentos realizados nos últimos anos, e está na base da tecnologia da computação quântica.

“Sabemos que as partículas que representam os bits quânticos, ou q-bits, precisam adquirir, durante o processamento da informação, certo grau de emaranhamento para que a computação quântica seja mais eficiente que computação clássica”, explica o físico brasileiro Marcio Cornelio, atualmente na Unicamp. Cientistas acreditam que computadores quânticos serão capazes de realizar cálculos muito mais rapidamente que computadores normais, ou clássicos, além de resolver problemas que estão fora do alcance das máquinas atuais.

O experimento suíço traz mais um argumento ao debate entre as diferentes interpretações da mecânica quântica. Uma das hipóteses levantadas em oposição à idéia de que certos fenômenos só podem ser descritos como probabilidades é a das “variáveis ocultas” - todo fenômeno teria uma descrição precisa, mas que estaria, de certa forma, escondida. Se as variáveis ocultas existissem, no entanto, o emaranhamento quântico só seria possível se as partículas se comunicassem entre si, ajustando suas variáveis.

“Concluímos que o limite mínimo que estabelecemos para a velocidade da hipotética ação fantasmagórica à distância é tão alto que a existência desta ação não é plausível”, diz Nicolas Gisin, um dos autores do artigo na Nature. Cornelio concorda: “Se tal ação à distância existisse, ela teria que ser muitas vezes mais rápida que a luz, o que violaria a teoria da relatividade. Essa é mais uma evidência de que tais variáveis não devem existir”.

O emaranhamento não viola a “letra” da relatividade porque, por si só, o fenômeno não permite a transmissão de sinais de comunicação mais depressa que a luz - não seria possível, por exemplo, usar partículas emaranhadas para criar um telefone celular instantâneo. “O emaranhamento não pode ser usado para comunicar unidades de informação escolhidas por uma pessoa, exatamente porque os eventos correlacionados por ele são aleatórios, fora do controle humano. Se os eventos fossem determinísticos, seria possível usar o fenômeno para comunicação clássica mais rápida que a luz”, o que violaria a relatividade, diz Gisin.

Mas se as partículas não trocam sinais entre si, como o emaranhamento quântico é possível? Como uma partícula “sabe” que sua parceira, a quilômetros de distância, foi manipulada?

“Eu diria que as partículas simplesmente estão correlacionadas”, diz Cornelio. “Como não é possível transmitir informação usando apenas partículas emaranhadas, não há necessidade de uma 'saber' o estado da outra e vice versa. Existe apenas uma correlação estranha, que não pode ser descrita pela física clássica”.

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Tempos difíceis

29 Julho 2008

Tempo difícil esse em que estamos, onde é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito (Einstein)

Algo que aprendi em uma longa vida: Toda nossa Ciência, medida contra a realidade, é primitiva e infantil - E ainda assim, é a coisa mais preciosa que temos. (Einstein)

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a ciência e a religião

28 Julho 2008

A ciência sem a religião é manca, religião sem a ciência é

cega.” (Einstein)

 

”Nenhuma soma de experiência pode provar que se tem razão, mas basta uma só experiência para mostrar que se está errado.” (Einstein)

 

Technorati Marcas:

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O preço da velha ciência

26 Julho 2008

Livros científicos raros alcançam milhões de dólares em leilão nos Estados Unidos

Via: Revista Pesquisa

Texto: Neldson Marcolin

Edição Impressa 149 - Julho 2008

Pesquisa FAPESP

© Fotos Christie

O livro de Copérnico, vendido por US$ 2,2 milhões: fora do mercado havia décadas

A ciência foi a leilão e, surpreendentemente, conseguiu quase o dobro do preço esperado pelos especialistas. No caso, leia-se por ciência 346 livros ou coleções de artigos de cientistas que criaram ou revolucionaram o conhecimento científico do século XVI ao XX. Quase todos os lotes foram vendidos no dia 17 de junho pela casa de leilões Christie’s, de Nova York. A jóia da coroa era um exemplar fora do mercado havia muitas décadas, De revolutionibus orbium colestium (Sobre a revolução dos corpos celestes), do polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), publicado prudentemente no ano de sua morte, depois de duas décadas de trabalho. Nele Copérnico tirou a Terra do centro do Sistema Solar e colocou pela primeira vez o Sol no seu lugar. A cópia é uma primeira edição do século XVI e fazia parte da biblioteca de história da ciência do médico norte-americano aposentado, astrônomo amador e colecionador diletante Richard Green. A Christie’s esperava conseguir até US$ 1,1 milhão pelo livro, mas ele foi arrematado por US$ 2,2 milhões, um recorde. A arrecadação total passou em muito a expectativa inicial de US$ 6 milhões – alcançou US$ 11 milhões por 289 lotes vendidos.


Arte de navegar, do espanhol Pedro de Medina (1493-1567), foi o segundo livro mais valioso vendido no leilão, por US$ 578 mil. Trata-se da primeira edição do primeiro manual prático de navegação. O terceiro mais caro (US$ 506 mil) foi o opúsculo de Galileu Galilei (1564-1642) Le operazioni del compasso geometrico, et militare, em que descreveu o modo pelo qual o compasso podia ser usado sem pena, papel ou ábaco. Depois veio Harmonices mundi libri V (US$ 362 mil), de Johannes Kepler (1571-1630), no qual expõe sua teoria sobre a harmonia do Universo. E o quinto lote mais caro vendido (US$ 314 mil) entre os 289 foi uma coleção de 130 separatas de Albert Einstein (1879-1955), escritas entre 1900 e 1925, que incluem artigos sobre as teorias quântica de campos, a geral da relatividade e a de campo unificada.


Qual o motivo de se gastar tanto dinheiro em um objeto conhecido e reproduzido há centenas de anos, além do valor histórico da obra? Talvez o fetiche por uma primeira edição que pouquíssimos têm? Ou é apenas um investimento em algo que não se desvaloriza? Quando se trata de alguém declaradamente apaixonado por edições antigas, como o bibliófilo José Mindlin, a resposta é mais fácil. Ele não entra em leilões milionários e vem garimpando seus exemplares com extrema paciência ao longo de muitas décadas. Quem já visitou sua biblioteca conhece o cuidado que cerca todos os livros, dos valiosos aos mais simples.


Mas não é o que ocorre com os atuais compradores de livros raros e obras de arte. A avaliadora Margarete Cardoso, especialista do mercado brasileiro de livros raros da Livraria Rio Antigo, do Rio de Janeiro, conta que a tendência é essas obras se tornarem cada vez mais raras porque são compradas por museus e empresas – como aconteceu com a maioria dos livros de Richard Green –, que não revendem. “Quando aparecem livros como os levados a leilão o preço dispara”, diz Margarete.

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